Jardim dos Mestres

A Contrição do Coração

Os termos contrição e compunção são muito utilizados na tradição mística cristã. Em seus escritos, os Padres do Deserto dão grande importância à contrição e à compunção do coração.

Contrição é o arrependimento, o pesar, o profundo sentimento de dor no coração por causa de um erro cometido, acompanhado da firme decisão de não mais errar. Compunção possui basicamente o mesmo significado. Podemos apenas acrescentar que a compunção inclui manifestações externas deste pesar.

Muitas pessoas de oração, após conhecerem a contrição, percebem que nunca antes haviam se arrependido de verdade. Quando o arrependimento não é apenas intelectual, superficial e sim profundo e verdadeiro, então gera grande compunção, lágrimas e dor no coração. É assim que o coração e a mente, que antes viviam perturbados, ficam agora aliviados. É deste arrependimento, acompanhado de súplicas pela misericórdia divina, que nasce a esperança do perdão.

A contrição nos leva a superar o medo da dor e a dissolver a dureza de nossos corações. Quem procura a compunção do coração encontra a devoção e a consolação divina.

Nossos defeitos, vícios, paixões, são razão de profundo pesar. Quanto mais profundamente nos analisamos, mais profunda é nossa dor. A análise profunda de nós mesmos, a confissão de nossos erros e a sincera contrição possibilitam a limpeza e purificação de nossos corações e mentes. A contrição e compulsão são o mais alto estado da prática ativa.

Devemos nos humilhar diante da face de Deus e, de todo nosso coração, confessar nossos erros, nos arrepender profundamente. Dizia Santa Teresa de Ávila que “quanto mais se abaixa uma alma na oração, mais a levanta Deus”. Porém, não basta apenas o arrependimento, precisamos da firme decisão de corrigir nossa conduta.

O devoto sincero olha para si mesmo e reconhece ser ainda “tão carnal e mundano, tão pouco mortificado nas paixões, tão cheio de movimentos de concupiscência, tão pouco recatado nos sentidos exteriores, tão emaranhado em muitas vãs ilusões, tão inclinado às coisas exteriores, tão descurado das interiores; tão dado ao riso e à dissipação, tão duro para as lágrimas e a compunção; tão pronto para os regalos e cômodos da carne; tão indolente para as austeridades e o fervor; tão curioso por ouvir novidades e ver coisas bonitas; tão remisso em abraçar as humildes e desprezadas; tão cobiçoso de possuir muito; tão parco em dar; tão tenaz em guardar; tão indiscreto no falar; tão insofrido no calar; tão desregrado nos costumes; tão precipitado nas orações; tão sôfrego no comer; tão surdo à palavra de Deus; tão ligeiro para o descanso; tão vagaroso para o trabalho; tão atento para conversas fúteis; tão sonolento para as sagradas vigílias; tão pressuroso por chegar ao fim; tão vago na atenção; tão negligente na recitação do ofício divino; tão tíbio na celebração da missa; tão seco na comunhão; tão depressa distraído; tão raramente bem recolhido; tão precipitado à ira; tão fácil de melindrar os outros; tão propenso a julgar; tão rigoroso em repreender; tão alegre nas prosperidades, tão abatido nas adversidades; tão fecundo em boas resoluções, tão preguiçoso em executá-las”, e com isso enche-se o devoto de compunção e as lágrimas brotam de seus olhos com abundância.


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