Jardim dos Mestres

A Equanimidade

Atualmente tudo em nós é condicionado: ações, emoções, sentimentos, estados, humores, pensamentos, tudo depende da situação, das lembranças que nos vem à mente, das associações que fazemos.

Se alguém age com grosseria conosco, então também agimos com grosseria. Se alguém age com delicadeza conosco, então somos delicados.

Agimos de uma maneira com pessoas que julgamos ou rotulamos como boas, amigas, belas, legais. Agimos de outra forma com pessoas que julgamos ou rotulamos como ruins, más, inimigas, feias, chatas.

Quando temos um bom conceito quanto a alguém, se alguém nos é agradável, se nossa opinião quanto a alguém é boa, vamos ter com ela um bom contato, um bom relacionamento, uma boa interação com este alguém; vamos nos dirigir a essa pessoa com educação, atenção e alegria.

Ao contrário, se quando temos um mau conceito quanto a alguém, se alguém nos é desagradável, se nossa opinião quanto a alguém não é boa, o resultado será um mau contato, um mau relacionamento, uma má interação; vamos nos dirigir a essa pessoa de forma grosseira, com irritação e com má vontade.

Os maus conceitos que fazemos dos outros nos deixam predispostos a comportamentos equivocados, a emoções negativas. Sempre que nos identificarmos com nossos pensamentos, conceitos, rótulos, opiniões, nosso comportamento será condicionado, mecânico.

Os conceitos que fazemos de pessoas, situações, objetos, lugares, não passam de idéias, valores e rótulos, são apenas pensamentos, mas tomamos estes pensamentos como realidade, como verdade, como algo concreto.

Devemos observar que nossos pensamentos, nossos conceitos, não podem ser tomados como verdade, como realidade, como algo concreto. Eles são tão impermanentes e subjetivos que uma experiência pode alterar nossa opinião sobre alguém, transformando um inimigo em amigo ou um amigo em inimigo. Da mesma forma, dependendo das experiências, podemos mudar de opinião quanto a objetos, lugares, situações.

Disse o Mestre Jesus: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5:43-48)

Expressar virtudes com quem gostamos ou em situações favoráveis é algo relativamente fácil, o desafio é sermos equânimes, é sairmos da escravidão da dualidade de forma a sermos gentis com pessoas amigas ou não, com quem é educado conosco ou não, o desafio é permanecermos serenos diante da crítica e do elogio, o desafio é aceitarmos com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes.

A equanimidade é a imparcialidade que nasce da não identificação com pensamentos, sentimentos, emoções, conhecimentos, experiências, crenças e sensações. Não é indiferença ou frieza, é expressão de consciência.

Para que a equanimidade nasça e se desenvolva em nós, precisamos renunciar aos padrões equivocados, às emoções negativas, à mecanicidade, ao julgamento, ao preconceito e a discriminação e buscar a ação reta.


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