Jardim dos Mestres

A paz vem de dentro de nós, é um estado interior, não depende de situações externas, não é condicionada. A paz é um resultado da plena aceitação, da devoção, do contentamento, da satisfação, da gratidão, da generosidade, da compaixão. É um resultado do nosso próprio estado interior, de nossa pureza, bondade, amor.

A sensação de paz que é condicionada por fenômenos externos ou é abalada por eles é falsa, é uma ilusão. Não são as situações externas que trazem a paz, mas a percepção de que podemos relaxar, de que não há ameaças.

Sempre que condicionamos a paz, nós a perdemos. O condicionamento da paz gera expectativa, ansiedade, dor e sofrimento. E quando uma condição é conquistada, logo vem o medo de perdê-la. Se quisermos ter paz, precisamos abandonar as expectativas e nos permitir estar em paz, o tanto quanto possível, a cada instante.

Todos os nossos momentos de paz ocorrem quando nos permitimos estar em paz. Quando não nos atormentamos com autocobranças, desejos, lembranças, podemos atingir esse estado de leveza interior, ainda que seja por alguns instantes, por um breve momento.

A paz não é o intervalo entre duas brigas, duas guerras, dois conflitos. É um estado de preenchimento – não um preenchimento de elementos externos, mas do próprio espírito. É uma conseqüência da nossa capacidade de viver em harmonia com a vida, de não permitir que nada nos perturbe, que nada nos assuste, de adaptarmo-nos às situações, de mantermos o equilíbrio de nosso estado interior mesmo diante das aparentes dificuldades externas.

Se queremos ter paz, então precisamos aprender a deixar os outros em paz. A paz está ligada à percepção da realidade, à percepção de que a vida é passageira e que nada conseguirá realmente nos afetar.

Se não temos paz é porque não queremos a paz, queremos outras coisas, desejamos, priorizamos outras coisas. Queremos ter razão, entramos em disputas para defender nossa opinião e perdemos a paz. Queremos o que chamamos de justiça, mas em realidade é desejo de vingança. Queremos nossos direitos, nos achamos cheios de direitos, nos cremos injustiçados. Queremos possuir, controlar, levar vantagem. Para que possamos ter paz, precisamos aprender a renunciar a tudo isso.

A vida é um movimento contínuo. Portanto, não devemos entender a paz como inação, como estagnação, uma vez que a paz é a harmonia com a vida, é movimento harmônico com a existência. A vida não tem nada de errado, nós é que destruímos e atrapalhamos seu curso; nós é que queremos controlar tudo. As dificuldades que surgem ao longo da existência acontecem para que possamos desenvolver as nossas habilidades. A vida está a favor e não contra nós. Se queremos ter paz, devemos tirar da mente qualquer desgosto pelas circunstâncias presentes.

Enquanto existir medo em nós não haverá paz. Enquanto vivermos assombrados por nossos temores, dominados pela ansiedade e pela insegurança, não haverá paz. A paz vem da fé, da confiança, da entrega.

Culpamos os outros e as situações da vida por não vivermos em paz, mas somos nós os únicos responsáveis por nossos estados internos. A paz se vai quando nos identificamos com as situações. Conflitos internos, desejos antagônicos, obrigações, culpas, mágoas, ciúmes, ressentimentos, inveja, descontentamento, impedem a paz interior, por isso precisam ser eliminados.

Tanto maior será a nossa paz interior quanto maior for nossa mortificação, quanto mais morrermos em nós mesmos, quanto mais eliminarmos os defeitos que nos impedem de permanecer em paz. A paz é o resultado de uma mente limpa e de um coração tranquilo.


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