Jardim dos Mestres

A Renúncia

Viver uma vida simples é um ato efetivo, um ato concreto de renúncia. Mas, por melhor que sejam nossas condições de vida, sempre acreditamos ter sempre o mínimo necessário para viver.

Nossos desejos nos cegam de forma que sempre arrumamos justificativas e desculpas para mantermos nossos apegos e desejos.

Sempre temos a falsa esperança, a falsa expectativa de que algo melhor venha a ocorrer ou de que algo agradável volte a acontecer. Estas possibilidades imaginárias nos mantêm presos a situações desagradáveis, a situações de dor e sofrimento.

Somente quando renunciamos é que percebemos nossos apegos e desejos. Somente quando renunciamos é que percebemos que nós mesmos estávamos sustentando as situações de dor e sofrimento.

A verdadeira renúncia dissolve o desejo, traz leveza, liberdade, satisfação, contentamento, paz. É preciso aprender a renunciar ao ruim pelo bom, ao bom pelo melhor, ao sofrimento pela paz, ao desejo pelo contentamento.

Renunciar é desapegar-se de algo, soltar de algo, abandonar algo. Renunciar é deixar de ver-se como vítima das situações, é deixar de culpar os outros e assumir a responsabilidade por nossas dores e sofrimentos.

O apego às coisas, a sensação de posse, a impressão de vantagem, nos faz sofrer ao nos manter sempre preocupados com perdas ou prejuízos. Quem nunca pensa em termos de posse, de “meu”, de “seu”, não sente falta de coisa alguma e desta forma não se aflige pela sensação de perda ou de prejuízo.

A posse, a impressão de posse, a sensação de posse, não se manifesta apenas com relação a o que é material como carros, casas, bens em geral ou pessoas, mas também e, principalmente, com relação ao que é psicológico, como a idéia e a imagem que temos de nós mesmos, às nossas opiniões e conceitos, nossa honra e moral.

Precisamos renunciar às idéias equivocadas e exageradas que temos sobre nós mesmos. Precisamos renunciar às ilusões e fantasias, às nossas opiniões, ao desejo de ter razão, às competições.

Precisamos renunciar às nossas mágoas e ressentimentos, nossas dores e sofrimentos, nossa brutalidade, nossas reações mecânicas, nossas emoções negativas. Ver-se livre dos pensamentos que geram tudo isso é motivo de grande regozijo.


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