Jardim dos Mestres

A Tranquilidade Diante de Perigos, Insultos e Ofensas

Durante a época da revolta dos Carmelitas Calçados contra os Carmelitas Descalços, o frade que era responsável por trazer as notícias para Santa Teresa, que estava presa no Convento de São José de Ávila, ficava sem jeito de lhe dizer muitas das coisas que ouvia. Certa vez, contou que falavam que as fundações eram apenas uma desculpa que a madre Teresa arrumava para passear. Percebendo o constrangimento do jovem frade que a admirava muito, a Madre disse: “Ai, meu filho! Não me levasse o Senhor pela mão e talvez eu fizesse bem pior. O que me aflige é pensar nos perigos a que expõe a sua alma esse homem que assim fala. E consentiria em sofrer bem maiores ofensas e bem mais duros tormentos para que lhe fossem perdoados os seus pecados”.

A mansidão de Teresa maravilhava as irmãs, a grandeza de seus atos ultrapassava as suas palavras. A Madre falava que estava acostumada com as ofensas: “Parece que tenho uma tábua por dentro de mim, sobre a qual chovem as pedradas sem me chegarem ao coração”.

Sobre a forma como Teresa tratava as pessoas, o Bispo de Ávila disse: “Quem quiser ser tratado pela Madre Teresa como o melhor dos seus amigos bastará levantar-lhe um falso testemunho…”

Quanto às injúrias que recebia, certa vez disse a Santa: “Minhas filhas, sabem que só me levantaram por três vezes falsos testemunhos: a primeira vez  foi no tempo da minha mocidade, quando me chamavam bonita. A segunda foi quando se lembraram de dizer que eu tinha talento: grande mentira também… A terceira foi declarar que tenho alguma virtude. Este é que me custa mais a suportar, pois quem conhece bem as minhas faltas sou eu.”

As injúrias vinham também de padres e de amigos, o que levou Teresa a dizer: “Como os amigos são poucos nas ocasiões difíceis!”. Mas suas filhas eram muito fiéis.

Teresa permanecia tranqüila diante dos perigos da inquisição, mas as outras  estavam assombradas e ela tinha que consolá-las e tentar persuadi-las. Diante disso, diziam as irmãs: “A nossa Madre é uma Santa, e nós somos apenas pobres freiras…”

A Madre ensinava às suas filhas que: “O que nos falta não é escrever nem falar, pois que tudo isso, habitualmente, superabunda mais sim calarmo-nos e atuar. O falar distrai; o silêncio e a ação concentram o nosso espírito, dando-lhes força… sofrer, agir, calar, fechar os sentidos pelo uso e gosto da solidão, no esquecimento de toda a criatura e de todo o acontecimento, ainda que o mundo desabasse…”


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