Jardim dos Mestres

Amortecedores, Máscaras e Verniz Social

O verniz social mascara nossos defeitos. Ele dá origem à repressão. Este verniz social, esta regra de convívio social, abrange as regras de etiqueta, de comportamento, dogmas, superstições, questões culturais, religiosas, questões de criação, educação e costumes, falsa moral e ética. É o ser político ou ser politicamente correto.

O verniz social oculta interesses, sejam eles econômicos ou sociais, intelectuais ou sexuais, oculta também nossas tendências a violência, nossos desvios sexuais, taras, vícios.

A falsidade e a hipocrisia permeiam todas as nossas relações. As pessoas não são sinceras, não são honestas umas com as outras.

Se alguém nos convida para uma festa, um almoço e não queremos ir por algum motivo qualquer, nós mentimos, inventamos desculpas ao invés de dizer que não queremos. O motivo real não precisaria ser dito, poderíamos dizer que não queremos e nos calar.

As pessoas convidam umas às outras para eventos quando na verdade não queriam fazer isso, mas fazem apenas por “educação”.

Se uma pessoa pergunta para outra se está bonita, por mais que a outra não ache, diz que está, e ainda é capaz de fazer diversos elogios.

Por causa da inversão de valores de nossa sociedade, chamamos de educadas as pessoas que são falsas, e chamamos de grossas e estúpidas as pessoas que se expressam com alguma sinceridade.

Entretanto, sem o verniz social, o convívio social seria impossível, pois temos muitos defeitos psicológicos e falta-nos muitas virtudes. Se olharmos para dentro de nós mesmos poderemos ver do que seríamos capazes de dizer ou de fazer se não houvessem estas leis, estas regras, não houvessem esses limitadores.

Usamos máscaras e mentiras para esconder nossas contradições, crueldades, desprezos, depravações, maldades, invejas, ódios.

Assim como o sofrimento, a gravidade dos erros, dos maus comportamentos é atenuada, amortecida.

As pessoas não dizem que erraram, dizem que devem apenas ter esquecido ou não notado. Não dizem que estão com má vontade, dizem que estão indispostas, cansadas, ocupadas com outras tarefas. Não dizem que roubaram, dizem que apenas pegaram tal ou qual objeto.

Estas falsidades, hipocrisias, mentiras, desculpas e justificativas que utilizamos em nosso dia-a-dia, são reflexos de um mundo interior cheio de falsidades, hipocrisias, mentiras, desculpas e justificativas.

Se alguém expressa com sinceridade sua opinião sobre nós, ou sobre algo que tenhamos feito, nós amortecemos dizendo que a desculpamos, pois a outra pessoa estava nervosa. Assim, negamos tudo que foi dito, ou seja, somos falsos com nós mesmos.

A banalização é também um amortecedor. Vivemos em uma sociedade que perdeu seus valores, onde o crime foi totalmente banalizado. Chamamos os ladrões de espertos; os assassinos de justiceiros; as vinganças de justiça.

Os amortecedores diminuem o impacto, o choque da realidade, das palavras, das emoções e podem impedir as crises necessárias para a transformação radical, os choques de consciência. Nós tememos o choque, impacto, tentamos sempre evitar, negar, esconder.

Se quisermos evoluir espiritualmente, precisamos nos tornar sérios, precisamos ser sinceros e honestos conosco.


20 de janeiro de 2013

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