Jardim dos Mestres

As Quatro Raízes dos Egos

Quatro são as raízes dos egos: autoimagem, autoimportância, autoconsideração e amor-próprio.

Quando há mágoa, dor ou sofrimento, significa que estamos amando apenas a nós mesmos, deixando de amar o próximo. O amor-próprio está ligado ao apego a si mesmo, a autoadoração, a paixão por si mesmo. Muitas vezes é confundido com autoestima e então incentivado.

A autoestima está relacionada com a percepção de que ninguém é melhor que ninguém, de que não estamos acima nem abaixo de ninguém, de que somos todos iguais, temos todas as possibilidades e direitos de acordo com nosso merecimento adquirido através de nossa conduta.

A autoadoração se relaciona com a vaidade e tem seu clímax no elogio, no aplauso, na homenagem, no reconhecimento dos outros, coisas que gratificam o ego e validam as nossas ilusões sobre nós mesmos.

O amor-próprio é um dos maiores obstáculos ao nosso avanço espiritual. Ele se manifesta como a constante preocupação com nós mesmos, com nossos próprios benefícios, prazeres, com nosso costume de sempre pensarmos primeiro em nós mesmos e de sempre fazermos o que desejamos sem considerarmos o mal que podemos causar aos demais.

O mundo exterior, as circunstâncias, nossa aparência, nossa situação, são reflexos de nossa autoimagem. Precisamos conhecer a nossa autoimagem, os conceitos que fazemos de nós mesmos.

Nós agimos e reagimos à esta autoimagem, à esta representação mental que temos de nós mesmos. Nossa vida é ditada por essa representação.

A autoimagem é um conjunto de crenças, valores, conceitos, autodefinições, ideias sobre nós mesmos e está ligada ao contexto, à época e à cultura na qual estamos inseridos. A autoimagem é uma frágil ilusão, não tem bases reais.

Ter uma autoimagem correta de si mesmo não quer dizer se identificar com uma imagem melhor de nós mesmos. Evidentemente que não se trata disso, pois isso seria apenas uma troca de rótulo.

A criação da autoimagem vai se dando durante a vida, através das experiências, quando pegamos ideias dos outros, quando nos identificamos. Por exemplo, quando uma mãe diz que seu filho é esforçado, o tal filho incorpora a imagem de esforçado à sua personalidade, a partir daí ele tem que se matar o tempo todo, pois é esforçado.

A autoimportância está no colocar-se como mais importante que as outras pessoas, mais importante que as situações, que a realidade, que a doutrina, que uma empresa, que uma comunidade. Está no colocar-se acima de todas as coisas.

O que fazemos hoje é dar mais valor, mais importância, para nossos egos, para nossas ilusões sobre o mundo, para nossos prazeres e necessidades, que nunca nos trouxeram felicidade real, do que para nossos princípios, nossa consciência, nosso real e verdadeiro Ser.

Consideramos sempre o melhor de nós mesmos e a partir disto ficamos preocupados com o que vai acontecer conosco, com o que vão dizer ou pensar de nós, tememos cair no conceito dos outros. Esta é a autoconsideração. Isso é validado e reforçado pela forma como nos tratam, pelo quanto nos admiram, o quanto nos elogiam. Nós nos consideramos bondosos, simpáticos, justos, honesto, queremos parecer, queremos mostrar para os outros que somos assim e queremos que os outros nos reconheçam como tal, admirando-nos, elogiando-nos.


20 de janeiro de 2013

0   Respostas em As Quatro Raízes dos Egos

Deixe sua mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *