Jardim dos Mestres

As Três Mentes

As várias escolas e filosofias dividem a mente em diferentes formas. O Mestre Samael Aun Weor divide a mente em três: Mente Sensual, Mente Intermediária e Mente Interior. Esta divisão deriva de Gurdjieff e seus discípulos, mas as definições e explicações do Mestre Samael, nas quais nos baseamos, são um tanto diferentes das de Gurdjieff e seus discípulos.

Mente Sensual ou Sensorial

A mente sensual é a que todos nós usamos diariamente para pagar as contas, nos alimentar, manter o asseio, cumprir os deveres com a sociedade, etc. Ela é útil para as necessidades da vida prática. Porém, devemos aprender a utilizá-la com equilíbrio.

A mente sensual ou sensorial elabora seus conceitos a partir dos cinco sentidos, das percepções sensoriais. Assim, os conceitos da mente sensual são subjetivos, condicionados pelos sentidos. Ela é grosseira, bruta, só aceita o que vem dos sentidos, identifica-se com todas as situações e com os objetos dos sentidos.

Quando surgem temas sobre os mistérios da vida e da morte, sobre a alma, a reencarnação, o karma, sobre a Verdade, sobre Deus, a mente sensual sempre pede por comprovações, demonstrações. Mas estes temas não estão relacionados com os cinco sentidos e por isso não podem ser compreendidos pela mente sensual.

Através da lógica podemos explicar qualquer teoria. Tanto crentes quanto céticos possuem boas teorias que justificam suas formas de agir e pensar. Mas a verdade não é questão de teoria, não é questão de crer ou não crer.

A educação dos tempos atuais está voltada apenas para o desenvolvimento da mente sensual.

Na mente sensual estão as dúvidas, os conflitos internos, o batalhar dos opostos, das antíteses.

Os intelectuais, os eruditos, se envaidecem de seus conhecimentos. Desconhecem o fato de que estão presos as ilusões dos sentidos, identificados com a mente sensual, presos ao intelecto, que os faz de bobos com suas ideias que parecem corretas, verdadeiras, concretas, com suas teorias e com sua lógica.

O ceticismo e as dúvidas envenenam a mente, matam a fé, os valores transcendentes, as possibilidades da alma. A mente sensual despreza a mente interior. Os céticos e intelectualistas se acham superiores, riem do que desconhecem e não podem perceber.

Mente Intermediária

Na mente intermediária estão as crenças religiosas, as informações recebidas sobre as religiões, os dogmas.

A mente intermediária está relacionada à doutrina dos fariseus, que são aqueles que frequentam suas religiões para que os outros vejam, para manter as aparências, não vivem o que é ensinado, pensam que crer já é o suficiente.

Mente Interior ou Superior

A mente interior trabalha exclusivamente com os fatos percebidos pela Consciência, com a percepção direta ou intuitiva, não apenas com informações que lemos ou ouvimos. É através da mente interior que a Consciência se manifesta.

A mente interior está baseada na percepção direta, na razão objetiva e não na subjetividade do ego e da percepção sensorial. Verdades como a reencarnação e a lei do karma são percebidas diretamente pela mente interior.

As percepções da mente interior contrariam as crenças e os dogmas da mente intermediária. Precisamos abrir a mente interior para eliminarmos as dúvidas. A verdadeira fé nasce em nós quando a mente interior é aberta. A verdadeira fé nasce da experiência direta.

A mente interior é aberta pelo pensamento psicológico. Para aprendermos a pensar psicologicamente precisamos desenvolver a imaginação, mas se ficarmos presos ao intelecto e as percepções sensoriais, não desenvolveremos a imaginação e, por consequência, não abriremos a mente interior.

De fato, a faculdade do intelecto é útil para as necessidades do dia-a-dia, da vida prática. Mas também existe a imaginação, que é outra faculdade de cognição.

A imaginação está relacionada com o ato de criação, com a invenção, com planos e projetos. Porém, a imaginação foi desprezada e hoje está atrofiada, degenerada.

Podemos dividir a imaginação em mecânica e consciente. A imaginação mecânica é a fantasia. A imaginação consciente é a dirigida, voluntária.

O desenvolvimento do ego bloqueou o acesso à mente interior e até mesmo o acesso à mente intermediária. Quando iniciamos o trabalho de auto-observação, começamos a pensar psicologicamente. A abertura da mente interior é gradual, vai acontecendo conforme eliminamos o ego.

Em tudo devemos ter equilíbrio. Portanto, também devemos ter equilíbrio entre a mente interior e a mente sensual, pois precisamos da mente sensual para as atividades da vida comum


22 de janeiro de 2013

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