Jardim dos Mestres

O desejo é a ânsia desesperada por prazer, felicidade, satisfação, é a constante busca por mais. Desejo é sede por prazer, é cobiça, paixão, inveja, pressa, curiosidade. A rejeição também é uma forma de desejo.

Mesmo ao realizar um desejo nós continuamos a desejar. A realização de um desejo não traz satisfação, traz apenas mais desejo. A lembrança dos prazeres e gratificações sensoriais fortalece o desejo. Quanto mais desejamos mais nos afastamos da verdadeira felicidade.

O desejo distorce a realidade, converte os objetos em objetos de prazer. O desejo leva ao vício e à dependência, à necessidade de repetir a experiência, a sensação, o prazer.

Os momentos de prazer são fugazes, impermanentes, insatisfatórios. Entretanto, continuamos a acreditar nas promessas do mundo. Sempre temos a esperança de satisfação e felicidade no futuro, mas os resultados são sempre insatisfatórios. Evidentemente que se continuarmos a fazer as mesmas coisas os resultados serão sempre os mesmos.

Os desejos são impermanetes, estão constantemente surgindo e cessando, são dependentes das condições, das situações. A intensidade do desejo depende da importância que damos aos objetos, situações. Se não dermos importância aos desejos que surgem, eles perderão sua influência sobre nós.

Temos desejos que podem ser realizados, mas também temos muitos desejos que são impossíveis de realizar. Desejos que são contrários a nossa forma de viver, pensar, agir, nunca poderão ser realizados.

Alguns outros desejos são sem sentido, inúteis, são pura fantasia, mas ainda sim, como não os analisamos, eles nos atormentam. A dúvida mantém os desejos e a possibilidade, a esperança de prazer e felicidade.

Nossas mentes estão desorganizadas, nossas ideias estão confusas. Temos muitos desejos conflitantes, contraditórios, e isso gera sofrimento, conflito interno. Há muita dúvida e nenhuma decisão ou escolha. Não temos metas, nem objetivos claros e nem prioridades bem definidas.

Ao analisarmos nossos desejos, podemos perceber suas desvantagens e assim abandoná-los. O custo e o esforço para realizar um desejo pode ser muito grande e as consequências podem ser muito ruins. A análise desfaz as dúvidas e torna nossas idéias mais claras.

Muitos acreditam que liberdade é fazer o que quer, é entregar-se aos impulsos, é buscar desenfreadamente o prazer e a diversão. Com isso, tornam-se escravos dos próprios desejos, sofrem e não percebem que sofrem. Liberdade é estar livre de desejos. Entregar-se aos desejos é sinal de fraqueza, ignorância, brutalidade.

A não realização de um desejo leva à frustração, revolta, raiva, tristeza.

Nossos desejos, em sua grande maioria, são ruins, baixos, vulgares, grosseiros, brutos. Existem desejos que são neutros e também existem desejos que são bons. O desejo de crescimento espiritual é um bom desejo, nos ajuda no início, mas não é suficiente. Para alcançarmos uma evolução espiritual real precisamos ter uma vontade ardente.

Fazemos muitos esforços para realizar desejos inúteis, no fim, nada muda em nossa realidade, continuamos tristes, infelizes, insatisfeitos, descontentes.

Valeria muito mais a pena dirigir nossos esforços para alcançar os jhanas e assim nos regozijarmos neles. Depois de alcançados, os jhanas estarão sempre disponíveis. Estes estados de absorção nos trazem uma felicidade mais sutil, refinada, profunda, superior, transcendental. A alegria de ter uma mente serena é indescritível.


12 de fevereiro de 2013

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