Jardim dos Mestres

Imaginação e Imagens

Estamos cercados de símbolos e reagimos a eles segundo o que eles transmitem para cada um de nós. Cada símbolo denota uma realidade, transmite uma mensagem, que pode ser diferente dependendo da época e da cultura.

Assistir um pôr do sol, contemplar uma bela paisagem é certamente algo maravilhoso, inefável, extasiante. Não podemos negar que o belo provoca reações em nós e pode evocar nossas melhores emoções. Por isso, em algumas tradições religiosas são utilizadas imagens para inspirar devoção. Alguns locais sagrados são decorados com imagens e símbolos a fim de criar uma atmosfera mística que inspire devoção, introspecção, veneração, reverência.

Realmente, adorar imagens é algo sem sentido, não é para isso que deveriam ser utilizadas. As imagens podem ser utilizadas para inspirar sentimentos e emoções elevadas, mas não devemos ficar apegados a elas. Tão logo as emoções elevadas estejam bem desenvolvidas o uso das imagens pode ser abandonado.

Cada pessoa tem suas próprias características, por isso cada um deve encontrar qual técnica, forma ou prática de oração que lhe traz melhor resultado. Para alguns a contemplação de imagens inspiradoras pode levar a uma profunda oração e trazer grandes resultados.

Realmente, em algumas práticas utiliza-se a imaginação para criar imagens inspiradoras, ou para ajudar na concentração. Nisso não há problema algum. Isso não é adoração de imagem. A contemplação de uma imagem pode trazer o profundo significado por trás do símbolo.

O problema se inicia quando a imagem passa a ser o objetivo principal, um fim em si mesma, isso sim é adoração de imagem e é um erro. A adoração de um Deus antropomórfico ou de uma imagem, seja ela física ou criada pela imaginação, é tudo a mesma coisa e é um equívoco.

É importante observar aqui que se os demônios não conseguem distrair a atenção então podem tentar sugerir imagens a fim de tentar enganar-nos, induzindo o pensamento;  fazendo-nos crer que alcançamos o objetivo da oração, que não corremos mais riscos, que estamos purificados. Se existir em nós a tendência à vanglória, poderemos ser iludidos por nossos demônios, pois a vanglória é o princípio da ilusão.

A imaginação dirigida é uma grande ferramenta. Entretanto, a imaginação mecânica não traz benefício algum, muito pelo contrário. A imaginação mecânica é fantasia. Alguns, por ignorância, fantasiam Deus, Cristo, Anjos, Santos, sentem sensações, vêem luzes, ouvem sons e se crêem iluminados. Mas, na verdade, são vítimas de seus próprios demônios internos, da vanglória, da vaidade, do orgulho.


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