Jardim dos Mestres

Impermanência: Como Perceber o Surgimento e a Cessação

Os fenômenos exteriores e interiores são impermanentes. Nossos estados internos são impermanentes, eles surgem, permanecem e cessam, dependendo das condições externas.

De modo geral, possuímos uma grande capacidade de manter estados equivocados, ou seja, conseguimos permanecer tristes, ressentidos, ofendidos, por longo tempo. Acreditamos que os possuímos e que não podemos abandoná-los.

A simples lembrança de nossos medos, de nossos estados equivocados já é o bastante para que esses estados retornem. Não é necessário fazer qualquer esforço.

Da mesma forma, a lembrança de estados puros e libertos, a lembrança dos estados de felicidade, paz, harmonia, tranquilidade, satisfação, contentamento, fazem com que esses estados penetrem em nós e, pouco a pouco, se tornem parte de nós.

Aprendemos a gerar e sustentar esses estados libertos com a prática formal, para em seguida sermos capazes de fazer o mesmo em qualquer situação.

Quanto mais frequentemente reavivarmos esses estados, quanto mais frequentemente evocarmos esses estados, mais eles se tornarão parte de nós mesmos, e assim poderemos sempre voltar a eles. Precisamos lembrar, evocar e reviver, tantas vezes quanto possível durante o dia, os estados puros e libertos.

Quando os estados equivocados surgem, nos agarramos ou lutamos contra eles. Lutamos contra, na tentativa de nos livrarmos dos estados equivocados, na tentativa de evitá-los, na tentativa de impedir a dor e o sofrimento. Porém, com esta luta também nos agarramos a eles, então precisamos compreender por que nos apegamos, por que somos incapazes de nos soltar, por que permanecemos agarrados.

Precisamos apenas aprender a perceber quando os estados equivocados surgem, permanecem e desaparecem, sem repudiá-los ou rejeitá-los. Precisamos aprender a abandonar, a renunciar, a nos soltarmos dos estados equivocados. Precisamos apenas aprender a perceber quando os estados surgem e deixar que passem, que terminem. Podemos existir sem eles.

Nas meditações, aprendemos e praticamos a capacidade de abandonar, renunciar, de nos soltarmos dos estados equivocados. Assim, podemos chegar à compreensão deste processo, à compreensão do que faz os estados equivocados surgirem, do que faz com que permaneçam, do que faz com que cessem ou do que os impede de cessarem.

Ao compreendermos o surgimento e cessação dos estados internos, vamos conseguir abandonar os estados equivocados e gerar estados puros, estados de paz, tranquilidade, contentamento e felicidade. Praticando assim, no viver diário e nas meditações, vamos conseguir abandonar cada vez mais rapidamente os estados equivocados e sustentar os estados puros.

Ao invés de desperdiçarmos tempo e energia tentando evitar o sofrimento, a dor e os estados equivocados, devemos eliminar os elementos que os causam e, paralelamente a isso, evocar, buscar desenvolver e sustentar os estados benéficos, favoráveis, puros, estados de felicidade, paz e tranquilidade.


12 de fevereiro de 2013

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