Jardim dos Mestres

Meditação de Compaixão

A meditação da compaixão também é chamada de meditação do amor-bondade ou meditação de metta[1], no Budismo Theravada. A meditação da compaixão é uma poderosa oração por nossos semelhantes. Também busca aliviar o sofrimento de nossos semelhantes, na prática, nos fatos da vida diária.

Esta prática consiste em desejar profundamente, desejar com muito amor e compaixão, que todos os seres sejam felizes, ditosos, e estejam em paz; que ninguém engane ou despreze o próximo; que ninguém deseje o sofrimento alheio; que não sofram mal algum; que tenham paciência e persistência para enfrentar e superar as dificuldades da vida; que os aflitos sejam consolados; que as dores dos que sofrem sejam aliviadas; que os bondosos tenham paz; que os mansos alcancem a libertação; que os libertos sejam abençoados e ajudem os outros a se libertar.

Por mais que não se perceba ou acredite, a prática influencia à todos. É uma prática em que acumulamos méritos. Não é baseada na mera repetição de palavras, ou frases positivas, mas sim na irradiação de profundos e sinceros sentimentos. É uma prática muito boa para quem tem a ira como uma característica marcante. Com ela cultivamos estados libertos, elevados, e as emoções negativas vão perdendo seu poder.

A concepção de amor e compaixão de que falamos nesta prática não é aquela normalmente entendida. Não são sentimentos condicionados. Isso deve ser muito bem compreendido e desenvolvido em meditação, pois existe muita confusão e fantasia sobre os conceitos de amor e compaixão.

Muitos falam de amor incondicional como se fosse simples ou fácil. Na realidade, no estado em que nos encontramos atualmente, o amor incondicional não é algo fácil. Somos muito mecânicos, estamos muito condicionados. Somente rompendo com nossos condicionamentos, por meio de muita meditação, de muita purificação, é que podemos começar a ter um vislumbre do que seja realmente o amor incondicional.

A menos que já tenhamos realizado muito trabalho sobre nós mesmos, o normal é nos magoarmos, nos irritarmos com os outros, é termos inveja, má vontade, etc., pois temos nossas diferenças, nossos inúmeros desejos, nossos gostos e desgostos. Se negamos isso, se nos escondemos atrás da falsa piedade, de frases positivas ou de uma visão “poliânica” sobre a vida ou sobre nós mesmos, não crescemos espiritualmente, apenas nos autoenganamos.

Desejar o bem daqueles com quem temos afinidades, daqueles a quem amamos, é comum, precisamos ir além. Como foi dito anteriormente, esta prática deve ser incondicional, devemos fazê-la também por aqueles que nos odeiam, criticam, difamam, prejudicam ou ofendem. Com a prática, as pessoas que antes nos pareciam antipáticas e detestáveis, passam a nos ser indiferentes, depois está indiferença também é transformada.

A meditação de compaixão pode ser praticada a partir da meditação de tranquilidade e também pode ser feita como uma prática de preparação para a meditação analítica.

Cada prática traz um resultado para nós mesmos, cada prática tem como objetivo trazer algum tipo de purificação para nossos próprios corações e mentes.

Compaixão é capacidade de sensibilizar-se com o sofrimento alheio, de colocar-se no lugar dos outros. Começa com boa vontade e é desenvolvida gradualmente, à medida que nos autoconhecemos e percebemos nossos próprios sofrimentos. Conforme a compaixão se desenvolve, o sofrimento dos outros se torna tão doloroso quanto o nosso.

Não podemos esperar por uma felicidade isolada, não podemos esperar ter felicidade, se maltratamos, criticamos, desprezamos os outros. Todos nós queremos a felicidade.

Enquanto nossas mentes estiverem cheias de pensamentos ruins, pensamentos de raiva, mágoa ou inveja, nossas palavras serão grosseiras, difamatórias, caluniosas, maldosas, maliciosas, mentirosas, vingativas. Nesta situação, tudo o que pensamos gera dor, sofrimento, criticamos tudo e todos, tudo nos é desagradável, estamos sempre tensos. Sofremos com nossa própria vaidade, orgulho, desprezo, desrespeito. Queremos competir, pensamos em causar prejuízo aos outros, sentimos um prazer mórbido ao vermos o sofrimento alheio. Nossos próprios pensamentos inábeis nos destroem, nos fazem sofrer.

Contudo, se cultivarmos compaixão, amor e bondade, nossas mentes ficarão repletas de bons pensamentos, nossas palavras serão suaves, verdadeiras, bondosas. Mas somente quando conseguirmos compreender profundamente a compaixão é que ela será parte de nós. Então, seremos mais compreensivos, flexíveis, seremos mais pacientes, tolerantes, estaremos abertos a perdoar. Tudo será mais agradável. Buscaremos ajudar, cooperar com o próximo. Estaremos cheios de gratidão, felicidade, satisfação, contentamento. E assim relaxaremos, teremos paz e tranquilidade.

Alegria altruísta é o alegrar-se com a felicidade dos outros. Conforme purificamos nossos corações e mentes, a alegria dos outros se torna nossa alegria. A alegria altruísta é um bom remédio para combater o ciúme e a inveja.

 


[1] O termo metta é comumente traduzido como amor-bondade ou amor-radiante, no sentido de ser aquele que irradia.


5 de janeiro de 2013

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