Jardim dos Mestres

O Desejo de Ser Alguém

Todos nós queremos ser alguém. Para nós, a busca de poder, riqueza, status, fama, de ser alguém, é muito mais importante, muito mais interessante, do que a busca por paz, tranquilidade, felicidade. Todas as nossas forças são empregadas no sentido de sermos alguém diferente, especial, superior, importante. O ego sempre quer estar no topo, sempre quer ser o maior, o melhor, ainda que seja o maior corrupto, o melhor ladrão, o mais cruel assassino.

Esta busca de ser alguém, esta expectativa de nos tornarmos algo, traz insegurança, por isso precisamos sempre nos autoafirmar, precisamos sempre ser reconhecidos, chamar a atenção, aparecer. Assim, se somos reconhecidos em nossas habilidades ficamos felizes e se não somos reconhecidos ficamos tristes, sofremos. Somos muito dependentes da opinião dos outros.

Queremos sempre ter razão, queremos nos impor, queremos provar. Acreditamos que nossa opinião, ideia, religião, crença, é a melhor. Estamos sempre disputando, competindo, lutando. Por isso, sempre nos sentimos atacados, ameaços, diminuidos. O sabios nos ensinam que “quem entra em disputa já perdeu”.

Todos aqueles que se destacam de alguma forma, políticos, esportistas, artistas, estão sempre amedrontados, preocupados com a própria segurança, com as suas imagens e posses, com o manterem-se no topo. Não há paz para este alguém. Ninguém suporta ver alguém superior, mais importante, mais destacado, quando isso ocorre todos querem destruir este alguém. Tudo isso está relacionado com a vaidade e com a inveja. Orgulho, vaidade, inveja são pesados fardos que carregamos inutilmente.

Ao desejarmos algo ficamos também com seu oposto e com isso sofremos. Quando desejamos a superioridade criamos o medo da inferioridade. Superioridade e inferioridade são duas faces de uma mesma coisa.

Se quisermos realmente ter paz e tranquilidade precisamos abandonar o desejo de ser alguém. Não deixaremos de existir se abandonarmos o desejo de sermos alguém diferente, especial, superior, importante.

A verdade é que somos comuns, normais. Somos todos iguais. Ninguém é completamente bom ou completamente mau. Todos nós fomos criados a partir do mesmo molde e carregamos as mesmas forças dentro de nós. Nunca podemos dizer que não temos este ou aquele defeito psicológico, pois certamente o temos. Em algumas pessoas o defeito psicológico aponta para um objeto e em outras aponta para outro objeto. As diferentes matizes das virtudes e dos defeito psicológico fazem parecer que somos diferentes. Porém, somos todos iguais


20 de janeiro de 2013

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