Jardim dos Mestres

O Dom das Lágrimas

Sempre abordado pelos místicos cristãos e muito mal compreendido pelas pessoas, o dom das lágrimas é um tema de grande importância. Por estes motivos, resolvemos escrever algumas palavras sobre o tema.

Nós perdemos a sensibilidade, perdemos a percepção do bom, do belo, do sagrado, tornamo-nos duros, secos, desumanos e até incapazes de chorar, mesmo diante das enormes desgraças e horrores que ocorrem diariamente no mundo.

Orar para obter o “dom das lágrimas” é apontado pelos Padres do Deserto como um dos primeiros passos da oração. O dom das lágrimas é um dom do Espírito Santo. A oração é uma proteção contra a tristeza e o desânimo. Portanto, estas lágrimas não podem ser confundidas com as lágrimas comuns das pessoas, não são lágrimas por alguma perda material, por desejos frustrados, não são lágrimas de tristeza, mágoa ou amargura, não são lágrimas de melancolia, de excesso de sensibilidade, de sentimentalismo ou emocionalismo. O devoto chora por seus erros, por seus defeitos, por ter se distanciado de Deus.

As lágrimas verdadeiras aliviam o coração, trazem conforto, tranquilidade e o devoto sai da oração determinado a mudar, a se transformar. Se isso não ocorre então estas lágrimas são falsas e estamos ofendendo nosso Pai Interno, o que é um grave e terrível erro.

As lágrimas acendem o fogo, o fervor da oração. As lágrimas purificam, enternecem, dissolvem, suavizam a dureza de nossos corações, tornando-nos compassivos.

As lágrimas de arrependimento precedem as lágrimas de gratidão e alegria. As primeiras nos purificam e nos preparam para as seguintes.

São Francisco de Assis, pouco antes de morrer, pediu para ficar isolado a fim poder orar e se lamentar de seus pecados. Por isso, quando nos parecer que não é mais necessário chorar por nossos erros ou defeitos, devemos considerar o quanto estamos distantes de Deus; devemos analisar a vida dos santos e perceber o quão pouco fizemos.

É importante observar que a perfeição não está no muito chorar, nem nos muitos fenômenos, sensações ou êxtases. Não devemos nos preocupar com as lágrimas, muito menos forçá-las. Devemos nos esforçar em morrer em nós mesmos, desenvolver virtudes e agir cada vez mais retamente. As lágrimas virão a seu tempo.


[1] Reverência e devoção também são muito importantes no Budismo. No hinduísmo não é diferente, devoção, mística e reverência são fundamentais. Os hare-krishnas com sua alegria são devotos, os sufis são devotos, os judeus são devotos. Em toda religião há devoção, cada uma da sua forma.

11 de janeiro de 2013

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