Jardim dos Mestres

O Segundo Grau de Oração

O segundo grau de oração é também chamado de “oração de quietude”. Neste grau começamos a buscar solidão, silêncio, a ter inclinação ao recolhimento. Começa a surgir uma grande fome e sede de Deus.

Ocorre quando a mente cai cansada, por causa do esforço em buscar a oração, do esforço de discorrer. Aqui os efeitos da oração ocorrem sem esforços. A mente, o pensamento, a memória e a imaginação ficam sossegadas. É oração que tranquiliza, normalmente se sai dela descansado física e mentalmente.

Este grau é caracterizado por grande paz, felicidade, satisfação. A alma é atraída a um silêncio cheio de contentamento e paz, fica cheia de Deus e se regozija em suave deleite. Ao alcançar esta paz e felicidade, o desejo, a cobiça, o apego, diminuem, pois percebemos que não podemos encontrar tamanho contentamento nas coisas do mundo. A alma começa a encontrar serenidade, mesmo em meio as situações difíceis da vida comum.

Aqui começa a ocorrer uma simplificação na oração. Arrependimentos, súplicas, louvores e agradecimentos começam a se unir em uma só coisa, em amor a Deus. A oração começa a caminhar para ser mais um estar com Deus do que conversar com Deus.

Certo esforço voluntário ainda é necessário. Movimentos do pensamento, da memória, da imaginação nos tiram deste estado de oração, que é ainda instável. Mas a vontade irá buscar este estado novamente e retornará a ele. Isto pode ocorrer várias vezes durante uma prática.

Neste grau, tudo que a mente tem que fazer é abandonar todas as preocupações com as coisas do mundo e permanecer quieta, sem tentar discorrer, sem buscar palavras e considerações para mostrar sua gratidão, sem buscar erros para se arrepender, sem buscar perceber que não merece o que está recebendo. Ou seja, precisamos apenas ficar quietos; assim geramos as condições, deixamos que aconteça.

Quando esta experiência é dada por Deus deixa uma marca duradoura, quando é forçada logo se esvai sem deixar marcas.

Se a Divindade não agir em nós, nada acontece. As compreensões só surgem por causa da Divindade, os defeitos só são eliminados por causa da Divindade, não há nada que possamos atribuir a nós mesmos.

A oração discursiva é muito boa, traz seus benefícios. Existem pessoas que possuem grande facilidade neste tipo de oração e conseguem grandes resultados. Contudo não se deve passar todo o tempo destinado à prática neste tipo de oração. O pensamento aplicado e sustentado ajuda, mas em tudo deve haver moderação.

É preciso muito trabalho sobre nós mesmos para não crermos que já está tudo feito, para não nos crermos santos, iluminados, para não nos apegarmos aos resultados da oração e passarmos apenas a buscar por deleites e consolações. Amar a Deus apenas por causa das consolações dos sentidos físicos é um grande equívoco


25 de dezembro de 2012

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