Jardim dos Mestres

O Zazen

A ideia comum de liberdade é na verdade uma busca descontrolada e desregrada por prazer, é bagunça e só traz mais desejo, dor, sofrimento, insatisfação.

A prática do zazen consiste em apenas sentar-se, o que é shikantaza. Parece fácil, mas de fato, pelo menos no início, é bem difícil, pois temos a constante sensação de que algo está faltando. Mas o que realmente falta é a percepção de que nada falta.

Sente-se numa posição confortável no local que preparou para suas práticas. Mantenha a coluna ereta, sem pender para a esquerda ou para a direita, para frente ou para trás. O queixo deve ficar um pouco para baixo, para que a cervical fique reta. A cabeça não deve ficar muito inclinada, pois isso dará sono. As mãos podem ficar sobre as coxas, ou podem formar algum mudra, ou ainda em alguma posição de preferência.

O nariz deve ficar em linha com o umbigo. Coloque a língua no céu da boca, além das questões metafísicas, isso ajuda a diminuir a salivação e assim a necessidade de engolir. Os olhos devem ficar entreabertos, suavemente direcionados para um ponto aproximadamente a um metro e meio de distância e num ângulo de 45 graus.

Respire algumas vezes soltando o ar pela boca. Relaxe todo corpo. Respire naturalmente.

Sem desviar o olhar, sem pensar e sem evitar pensar, perceba o corpo, a mente, os pensamentos. Perceba o interno e o externo. Perceba a impermanência. Perceba o que surge, permanece e cessa, interna e externamente. Simplesmente perceba a vida em seu fluir constante.

Não importa a experiência que surja, seja agradável ou desagradável, devemos estar lá e observar. Não devemos rejeitar, desejar ou tentar intensificar. Devemos apenas estar lá e observar, perceber, vivenciar, experienciar.

Um dos objetivos desta prática é aprender a simplesmente ser, estar ali, estar presente, simplesmente praticar.

Zazen é a percepção da experiência comum como ela é e não o desejo de algo diferente, fantástico, mais prazeroso, mais satisfatório. Zazen é apenas sentar-se, apenas vestir-se, apenas caminhar, apenas comer.

Ao nos sentarmos, simplesmente sentemos, estejamos lá, estejamos abertos. É uma questão de ser ao invés de querer existir.

Não é necessário fazer nada. A prática é a própria experiência. Criar expectativas, acreditar que algum tipo de experiência transformadora virá é um equívoco. Ter expectativas de transformação num futuro é achar que o momento presente está incompleto, é insatisfatório, é achar que falta algo. Não há nada para fazer ou tornar-se. Quanto mais desejamos, quanto mais tentamos fazer algo, quanto mais buscamos nos tornar alguém, mais longe ficamos.


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