Jardim dos Mestres

Os Obstáculos para Meditação

Quem quiser se dedicar a práticas espirituais deve ter objetivos claros, disciplina e decisão, pois muitos obstáculos surgem pelo caminho. Diante dos obstáculos, é necessário ter muita fé e paciência. Todas as dificuldades um dia cessarão, pois são impermanentes.

Os obstáculos devem ser superados através da observação serena, do esforço e da persistência, jamais através da irritação ou do desespero.

Se não tivermos capacidade de decisão, interesse, vontade, satisfação, contentamento, logo que surgirem as primeiras dificuldades – como dores por falta de costume, situações inesperadas, compromissos – arrumaremos nossas justificativas e acabaremos desistindo. Sempre há uma bela justificativa para tornar aparentemente correta toda e qualquer falta.

A prática deve ser iniciada de forma gradativa, aos poucos, primeiro com uns quinze minutos, depois com meia hora, e ir aumentando até atingir o objetivo. Isso é uma solução para a falta de costume.

Forçar a prática e criar tensões pode nos levar ao fracasso. As práticas devem ser realizadas com um certo contentamento.

A falta de tempo, de uma posição confortável ou de um local representam um obstáculo para os iniciantes. Porém, são fáceis de superar. Caso realmente tenhamos interesse, esses obstáculos podem ser facilmente superados, inclusive o da falta de tempo. Sempre arrumamos um tempo para as coisas que de fato queremos fazer.

A preguiça, a falta de costume, de interesse, vontade, satisfação, contentamento, são obstáculos fortes, que estão relacionados com as muitas ideias equivocadas, com aignorância quanto aos objetivos da prática e quanto aos nossos próprios objetivos.

Ninguém faz o que não quer fazer, o que não acha interessante ou importante. Se iniciarmos nossas sessões pelo fato da meditação estar na moda ou para acompanhar alguém, cedo ou tarde desistiremos. Da mesma forma, se somos movidos por expectativas fantasiosas, não vamos obter os resultados esperados, e logo desistiremos. No início, ficamos empolgados com as novidades, mas com o passar do tempo pode ser que o interesse diminua.

A falta de interesse e o apego aos prazeres dos sentidos geram relutância. As soluções indicadas são a leitura inspiradora, a reflexão sobre a vida de grandes mestres e santos, cantar ou ouvir músicas devocionais.

Não podemos deixar que nossa mente se fixe na ideia, na expectativa de que a meditação seja boa, pois isso também constitui um grande obstáculo. Tampouco devemos nos entristecer com práticas ruins. Na realidade, não existe uma prática boa ou uma prática ruim, são nossas ideias e expectativas com a prática, nossos desejos de que algo aconteça, que a fazem parecer boa ou ruim. Só será possível evoluirmos na meditação se aprendermos a aceitá-la tal qual ela esteja ocorrendo.

As práticas devem durar o tempo previamente estabelecido, não devemos estendê-las por estarmos sentindo boas sensações.

Precisamos abandonar completamente a ideia de obter resultados imediatos. Precisamos abandonar as expectativas de que algo aconteça, de que o mundo mude após a prática. As práticas espirituais sempre trazem seus efeitos, seus resultados. Mas nem sempre são os resultados que esperamos, desejamos, fantasiamos.

As frustrações com o mundo levam as pessoas a tentarem obter algo diferente, algo “espiritual”. Isso não é uma verdadeira inquietação da alma. Para progredir na meditação é necessário ter uma viva aspiração por meditar. Quem não percebe que este é o caminho não terá a motivação necessária.

Um grande e perigoso obstáculo é direcionar as técnicas, ou o desenvolvimento alcançado, para objetivos mundanos. Os que agem assim normalmente imaginam ter feito grandes avanços, crêem-se abençoados, iluminados.

O cansaço é outro obstáculo frequente. Depois de um dia de trabalho cheio, é possível que a pessoa chegue para a prática muito cansada e, ao invés de meditar, acabe adormecendo, e isso compromete a prática. Neste caso, talvez o melhor seja acordar mais cedo e realizar as práticas pela manhã. A solução para o cansaço é o descanso, o repouso.

A letargia sempre é citada como grande obstáculo, ela torna a mente apática. A solução indicada é fazer exercícios físicos, ter mais vontade e determinação.

Se não fizermos uma preparação adequada, também não vamos conseguir meditar. É preciso aprender a relaxar. É preciso também preparar-se para a prática durante o dia. Na vida diária, à medida do possível, precisamos manter o controle sobre as emoções, sobre as imagens, sobre a imaginação mecânica, devemos abandonar o diálogo interior. Se durante o dia deixarmos tudo correr solto, então não conseguiremos meditar. No dia-a-dia, devemos buscar fazer breves meditações, devemos observar e relaxar as tensões constantemente, devemos nos lembrar dos estados libertos e reavivá-los com frequência.

A falta de concentração é outro grande obstáculo, pois não pode haver meditação sem que aja concentração. Há pessoas que não dominam facilmente a habilidade de se concentrar ou que não conseguem manter a concentração. A solução aí é o esforço e a vontade.

O “querer fazer algo acontecer” é também um grande obstáculo. Não é preciso fazer nada, não há nada para controlar, não há nada para lutarmos contra. A meditação é uma prática de abandono, de renúncia. Se surgir algo na meditação – como emoções, imagens, sentimentos, lembranças, pensamentos insistentes –, fiquemos com isso, observemos, não tentemos evitar, não lutemos contra, não neguemos o que está ocorrendo. Se surgir impaciência, fiquemos com ela, observemos, vejamos como ela é. Ao agirmos assim, já estaremos meditando. Em alguns casos, a simples observação pode fazer com que a coisa observada desapareça. Um dos principais objetivos da meditação é a compreensão desses eventos da mente e do coração, desses surgimentos e cessações.

A dúvida é mais um dos obstáculos. Para progredir na meditação é preciso ter fé, confiança, devoção. A dúvida se expressa na falta de confiança na doutrina e na falta de confiança naqueles que a transmitem. Muitas vezes, a dúvida surge quando o praticante não obtém experiências, poderes. Quando as experiências acontecem ou os poderes despertam, alguns praticantes perdem contato com a realidade, passam a viver com mais fantasias e ilusões, mas acreditam estar progredindo. Entretanto, o verdadeiro progresso é aquele que nos traz mais para a realidade, para a verdade do momento presente.

A meditação traz experiências de paz e felicidade. Porém, não devemos nos agarrar a essas experiências, nem ficar na expectativa de repetições constantes delas. Quando ficamos presos neste estado feliz, neste estágio intermediário, não progredimos, pois ficamos sem interesse e força para avançar.

Devemos simplesmente praticar, sem expectativas. Isso é um treinamento para abandonarmos a frequente expectativa de repetir as sensações agradáveis e prazeres da vida diária. Esta expectativa gera ansiedade e sofrimento.

A doença é também um obstáculo. Quando surge uma doença, a solução é ter paciência e perseverança.

Devemos superar os obstáculos dia após dia. Todas as situações que atrapalham a meditação, que nos impedem de alcançarmos estados meditativos, são as mesmas situações, os mesmos comportamentos, que nos atormentam a vida, não existem outros. Por isso a meditação é uma prática importante. Com ela, aprendemos a nos libertar de nossos próprios defeitos.


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