Jardim dos Mestres

Percepção, Formação de Conceitos e Preferências

Todas as sensações que experimentamos ficam registradas na memória. É através dos cinco sentidos que captamos as sensações. Nossas percepções são formadas a partir das memórias das sensações que experimentamos e, a partir das memórias destas percepções, nós formamos nossos conceitos.

Cultura, época, religião, criação, formação, influenciam em nossas percepções. Nossas percepções são parciais, subjetivas, são condicionadas e presas ao passado, às nossas experiências.

Com certa facilidade podemos perceber que nossas percepções são condicionadas, seletivas. Se nunca vimos e nem ouvimos falar de algo, então não vamos dar importância, atenção, não vamos perceber, mesmo que esteja diante de nós.

Mas quando nos abrimos a uma ideia, a uma possibilidade, então começamos a perceber algo como se fosse novo, como se nunca tivesse existido. Por exemplo, se passamos a nos interessar por certo tipo de carro, então começamos a percebê-lo por todo lado. A concentração é um outro exemplo. Nós acreditamos que temos concentração até alguém nos dizer que não temos e começarmos a observar que realmente nossas mentes são muito agitadas. A raiva também é outro bom exemplo, muitos chegam a estes estudos acreditando que não têm raiva, mas quando começam a se observar percebem que estão cheios de raiva, impaciência, intolerância. Quanto mais observamos, quanto mais damos atenção e importância, mais detalhes vamos percebendo, maior profundidade vamos desenvolvendo.

Através da lógica e do raciocínio nós justificamos nossos conceitos. Do apego aos conceitos surgem as disputas, o desejo de termos razão, a necessidade de estarmos certos. Contudo, um conceito é apenas uma ideia sobre algo. Não é real, não é a verdade última. É apenas nossa ideia.

Cada um percebe o mundo de uma forma. Nossa percepção do mundo depende de nossas experiências e dos conceitos que formamos. O externo é reflexo do interno. Conforme nos abrimos às novas ideias, às ideias da doutrina, conforme estudamos, refletimos, investigamos, transformamos nossa percepção do mundo, das situações, das pessoas, dos objetos. Conforme eliminamos nossos condicionamentos, limitações, defeitos, conforme eliminamos as dúvidas, o subjetivismo, conforme nossas ideias vão se tronando mais claras e objetivas, a nossa percepção do mundo, das situações, das pessoas, dos objetos, vai sendo transformada.

Nossas preferências são criadas a partir das divisões conceituais que fazemos, bom e mau, certo e errado, gosto e não gosto. Desta divisão surge o apego e a aversão, o querer estar perto do que gosta, achar bom ou certo e a evitação daquilo que não gosta, achar mau ou errado. De nossas reações, apegos, desejos, aversões, surge a ideia que temos de nós mesmos.


12 de fevereiro de 2013

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