Jardim dos Mestres

Projeção

A projeção é um processo pelo qual vemos nas pessoas, objetos e eventos, as nossas próprias tendências, características, potencialidades e deficiências. Por ser um processo contínuo e inconsciente, não nos damos conta de que está ocorrendo.

Com isso, podemos concluir que nossa realidade externa é uma projeção de nossa realidade interna, e se quisermos alterar nossa realidade externa, devemos antes alterar nossa realidade interna, pois a origem de nossos sofrimentos não está no mundo externo, não está fora de nós mesmos.

Rejeitamos nos outros o que não gostamos em nós mesmos. Quando criticamos os outros, certamente existe dentro de nós aquilo que criticamos, pois nunca saímos de dentro de nós mesmos. Falta-nos empatia, falta-nos compaixão.

Não vemos as pessoas ou os eventos como realmente são, vemos apenas nossas próprias projeções – projeções que amamos, projeções com as quais brigamos, projeções com as quais nos magoamos, projeções com as quais rimos ou choramos.

Não questionamos nossas percepções, pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, sempre acreditamos que são concretos, reais, verdadeiros. Projetamos nossos conceitos, desejos, repulsas, tendências sobre objetos, pessoas, situações, e acreditamos que as qualidades ou atributos a eles conferidos lhes são próprios, como se existissem por si mesmos, independente de nossos conceitos, desejos, percepções, repulsas, preferências. Se assim fosse, todos perceberiam da mesma forma.

Não podemos dizer que não temos o mesmo sentimento, a mesma emoção, o mesmo defeito que percebemos nos outros, porque certamente os temos. Um tem ciúme da pessoa amada, o outro do dinheiro ou da casa. Um se irrita com o trânsito, o outro com o barulho do vizinho ou das crianças. Um se incomoda com a agitação, o outro com a estagnação. Um mendiga dinheiro, o outro atenção ou reconhecimento. Um quer parecer rico, o outro quer parecer bom ou justo.

Tememos nossas próprias projeções mentais. O medo do que os outros vão pensar ou dizer é baseado em nossos próprios pensamentos, conceitos e preconceitos. Temos vergonha de nossos próprios conceitos, de nossos próprios valores, projetados para os outros. Ficamos magoados com nossas próprias projeções nas ações ou palavras dos outros. Sentimos raiva de nossos próprios pensamentos projetados. Vemos nos outros a nossa própria maldade refletida. Ficamos orgulhosos e nos envaidecemos de nossas próprias ideias e fantasias sobre nós mesmos.

Não reagimos aos acontecimentos externos, mas aos nossos próprios pensamentos, sejam eles grosseiros ou sutis, bons ou ruins, agradáveis ou desagradáveis. Assim, ao julgarmos objetos, pessoas, situações, reagimos aos nossos próprios julgamentos. E, por mais que acreditemos que estamos reagindo ao que é externo a nós, o que fazemos, na verdade, é reagir ao interno. Acreditamos nas histórias que a mente conta e as seguimos.

Sentimo-nos ofendidos em consequência dos valores que damos às palavras e por nos autoadorarmos, por queremos ser reconhecidos. Não existe ninguém nos ofendendo, nós é que nos ofendemos sozinhos. Não existe ninguém nos magoando, nós é que nos magoamos sozinhos. Não existe ninguém nos irritando, nós é que nos irritamos sozinhos. Tudo ocorre em nosso interior, são apenas projeções mentais.

Enquanto não transformarmos nossa realidade interna, enquanto não compreendermos e eliminarmos de nós mesmos os elementos que geram as experiências desagradáveis, as dores e sofrimentos, seguiremos sendo vítimas de nós mesmos, de nossa ignorância, das situações, vítimas de nossos próprios conceitos e preconceitos, valores, padrões, fantasias, ilusões, esperanças, expectativas, desejos.

Atormentados em nós mesmos, criamos e sustentamos problemas e sofrimentos, fantasiamos, aumentamos e exageramos as situações, achando que existe alguém fora de nós que nos atormenta, colocando sofrimentos, situações difíceis e dolorosas à nossa frente.

Para que alguma transformação seja possível, precisamos parar de culpar os outros pelo que nos acontece e passar a assumir a responsabilidade por nossa realidade interna e externa.

O conhecimento do mecanismo das projeções pode ser um instrumento útil à conquista do autoconhecimento, se praticarmos a auto-observação, se analisarmos e compreendermos nossas projeções e nossa realidade interna.


23 de janeiro de 2013

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