Jardim dos Mestres

Uma Visita a Duruelo

Numa viagem de Ávila para Toledo, Teresa fez um desvio para passar em Duruelo, primeiro mosteiro de Descalços. Lá encontrou Frei Antonio varrendo a varanda, com rosto cheio de alegria. Por todo lugar o asseio era admirável, conforme o gosto da Madre.

Nas laterais da capela, haviam construído eremitérios, onde só era possível ficar se fosse sentado ou deitado. Era cheio de feno, tinha uma pedra como cabeceira, cruzes e caveiras.

O local havia se tornado objeto de adoração dos moradores dos arredores. Os monges, Frei Antônio Heredia e Frei João da Cruz andavam pregando o evangelho pela região e, com isso, tornaram-se muito queridos por todos. Assim, as mulheres enviavam de tudo o que era necessário a eles.

Teresa e Julião de Ávila, o capelão, fiel servidor, sentiram-se no paraíso. Porém, preocupada com os exageros que tomara conhecimento, a Madre observou a importância da moderação nas mortificações, ensinava que a penitência insensata acaba com a saúde. Pela própria experiência, havia percebido os equívocos dos exageros e aprendido que a moderação é o melhor caminho. Dizia que: “… em todo o frenesi tem o demônio o seu quinhão…”

Edificados, partiram em grandessíssima alegria. Teresa seguiu em silêncio e os comerciantes, que a acompanhavam, conversavam. Um deles disse que não trocaria o que havia visto por todas as riquezas do mundo. O outro disse que as virtude e pobreza que havia visto pareciam riquezas mais invejáveis do que as suas. Mas nenhum deu meia volta para renunciar as coisas do mundo. Ouvindo a conversa e esforçando-se para não rir, Teresa pensou que no mundo eram necessários os comerciantes e os santos.

Após a visita ela disse: “Fiquei maravilhada com o espírito que Deus ali inspirava. Dois comerciantes que tinham jornadeado comigo não faziam senão chorar. Tantas cruzes! Tantas caveiras!” , “Não esquecerei uma cruzita de madeira por cima da pia de água benta. Uma estampa de papel ali colada, representando Cristo, inspirava mais devoção do que se fosse uma imagem bem esculpida…”


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