Jardim dos Mestres

A Importância do Relaxamento

Um dos primeiros passos para meditar é o relaxamento. É necessário que se aprenda a relaxar o corpo e a mente. Todo esforço mental cria tensão intelectual, e na meditação não pode haver nenhum tipo de tensão. O corpo deve estar livre de tensões e pressões.

Uma boa técnica é ir relaxando o corpo parte a parte, lentamente, tranquilamente. Escolha uma posição confortável, feche os olhos e inicie o processo de relaxamento. Mova sua atenção para o couro cabeludo, relaxe o couro cabeludo, solte-o completamente. Mova sua atenção para o rosto, perceba se há algum músculo tenso, relaxe todo o rosto, relaxe o maxilar. Siga assim por todo o corpo, foque em áreas pequenas, mova sua atenção para o pescoço, depois para os ombros, braços, mãos, peito, abdômen, pernas, pés, sempre percebendo os pontos tensionados e relaxando-os.

Se já estiver relaxado, simplesmente perceba, esteja consciente de que está relaxado. Se existir tensão, procure eliminá-la, e se perder a atenção, retorne suavemente ao ponto. Esta prática pode ser feita também no sentido inverso, ou seja, iniciando pelos pés e terminando na cabeça.

A cada ponto devemos observar o que surge e suavemente levar a atenção ao próximo ponto. Não devemos julgar ou conceituar o que surgir, apenas observar e deixar ir. Assim, perceberemos a impermanência das emoções e sensações, perceberemos que elas surgem, permanecem e logo cessam. Elas mudam constantemente, não são concretas, não são reais.

Com esta técnica aprendemos a soltar as tensões, emoções. Aprendemos a nos soltar dos sentidos, a deixá-los em paz. Nós nos perturbamos com os sentidos porque pensamos possuí-los e, assim, permanecemos agarrados a eles.

Esta técnica também nos ajuda a perceber o quanto estamos inconscientes de nosso próprio corpo. Nós nos desconhecemos tanto e estamos tão desatentos quanto a nós mesmos que nem percebemos as nossas tensões, nem percebemos o quanto ficamos retraídos ou contraídos em nosso dia-a-dia. E, quando percebemos algo, já estamos cheios de dores. O fato é que vivemos tensos, preocupados, irritados, cheios de medos, desejos, apegos, repressões.

Reagimos mal às situações da vida. As emoções mal trabalhadas e as reações mecânicas levam a tensões no corpo e na mente, levam a bloqueios e acúmulos de energias em determinados pontos do corpo, provocando assim todo tipo de doenças.

Além de reagirmos mal diante das situações da vida, nunca assumimos a responsabilidade por nossas reações, estamos sempre colocando a culpa nos outros e nas situações. Porém, tudo acontece dentro de nós mesmos, reagimos às nossas próprias projeções mentais, aos nossos próprios conceitos e preconceitos.

Precisamos assumir a responsabilidade por nossas reações e passar a agir de maneira diferente, menos mecânica, mais hábil e consciente.

Não precisamos reagir sempre da mesma maneira, não precisamos ficar irados, ou com medo, ou preocupados. Não precisamos pensar sempre da mesma maneira, podemos e devemos mudar a forma de pensar, devemos aprender a silenciar a mente, a relaxar a mente, aprender a escolher e dirigir nossos pensamentos, aprender a lembrar dos estados libertos, a pensar a partir de valores sagrados, a pensar com as ideias da doutrina.

Podemos renunciar às tensões, às reações mecânicas, podemos escolher, podemos agir de forma diferente. A renúncia é um dos grandes segredos da purificação do coração e da mente.

Não devemos rejeitar nada, precisamos apenas aprender a abandonar, soltar, renunciar, deixar que as emoções negativas, os maus pensamentos, passem, sem nos prendermos a eles. Precisamos apenas aprender a permitir que a raiva cesse, que se vá, que o medo se dissipe e se vá, e isso vale para quaisquer outras emoções.

Ao rejeitarmos algo ou tentarmos evitá-lo, nos prendemos, nos agarramos, nos fixamos, criamos tensões. Tudo isso é identificação. Se não estivéssemos identificados, nada rejeitaríamos, nada tentaríamos evitar, não ficaríamos presos, não nos agarraríamos, não nos fixaríamos.

Seja dentro ou fora de nós, tudo está em constante mudança, surgindo e cessando. A impermanência é uma realidade, uma verdade. Tudo passa, tudo passa. Assim, precisamos apenas aprender a não nos prendermos, não nos apegarmos, não nos fixarmos, não nos agarrarmos aos estados equivocados.

O relaxamento do corpo deixa também a mente mais relaxada. Com esta prática, aprendemos a mover a atenção pelas partes do corpo e a abandonar as tensões, aprendemos a nos desapegar das sensações desagradáveis e das emoções negativas.

Relaxar na quietude da prática é uma tarefa muito mais fácil do que a de relaxar na efervescência dos eventos do dia-a-dia, na hora exata das ações. Mas este é o desafio, e é para isso que servem as práticas passivas, para treinar.

Se, em nosso dia-a-dia, conseguirmos nos lembrar das práticas passivas e relaxarmos de tempos em tempos, então vamos nos tornar pessoas mais tranquilas, mais serenas. E a obtenção de bons resultados nos motivará a ir adiante, a aprofundar o trabalho.


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