Jardim dos Mestres

Estar apegado é estar preso, ligado a algo ou alguém, é ser dependente, é não querer distanciar-se do objeto do apego, é agarrar-se desesperadamente a algo.

É fácil olhar para o apego de alguém e achar ser bobagem, ser simples de renunciar, de abandonar. É fácil “renunciar” à tudo aquilo que não estamos apegados, que não damos importância. Mas é muito difícil renunciarmos à tudo aquilo que realmente estamos apegados, à tudo aquilo que damos importância.

O apego está ligado à idéia, à sensação, à impressão de posse, está ligado ao “eu” e ao “meu”. Quem está apegado sofre com a perda, com o distanciamento, com a falta. Quem nada possui nunca sofre com perdas, distanciamentos, faltas.

A posse não é apenas de objetos materiais como carros, casas, dinheiro ou valores subjetivos como posição social, cargos, títulos. É também de nós mesmos, de nossas ideias, conceitos, direitos, imagem, opinião, moral, crenças, hábitos e costumes.

Somos apegados às nossas bases, pois acreditamos que os objetos de nosso apego nos trazem segurança. Mas o apego traz o medo da perda, do prejuízo, traz preocupação, dependência, insegurança, tensão, rigidez. Enquanto o desapego traz tranquilidade, liberdade, leveza, confiança. Desapegar é renunciar, abandonar, soltar, desprender, desagarrar.

Do apego às pessoas surge ciúmes, raiva, preocupação, desconfiança, medo da perda.

O apego às ideias e crenças impede qualquer avanço espiritual. Todos nós acreditamos que nossa forma de ver a vida é a melhor e a correta. Todos nós acreditamos que somos abertos ao novo. Contudo, somos muito resistentes à novas ideias, à mudanças de paradigma e transformações. Até mesmo o apego à ensinamentos espirituais é prejudicial.

O apego ao passado e a esperança, a expectativa com o futuro, trazem medos com relação ao futuro e refletem a insatisfação e o descontentamento com o presente.

O apego escraviza a mente e gera sofrimento. O apego às sensações agradáveis traz o sofrimento com as sensações desagradáveis. Nossa percepção da realidade, nossas decisões, nossas escolhas, são influenciadas por nossos apegos.

O apego está ligado às coisas que damos importância, à idéia de que as coisas são permanentes, concretas e possuem habilidades e capacidades inerentes. A percepção da impermanência, de que nada dura para sempre, traz desapego.

Cobiça, avareza, mesquinhez são formas de apego e alguns dos antídotos são compaixão, bondade, generosidade.


12 de fevereiro de 2013

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