Jardim dos Mestres

Contemplação

As imagens e o pensamento sustentado podem ajudar no início, mas na perfeita contemplação não pode haver imagem alguma, pensamento algum. Quem quiser alcançar a perfeita contemplação[1] não deve dar forma à divindade e nem permitir que a mente receba uma forma, uma imagem.

Deus é aquilo que não pode ser definido, que não pode ser circunscrito numa forma, que precisa ser experimentado diretamente, pois é incomunicável. Deus é a Verdade, Allah, Tao, Zen, Brahama ou que outros nomes possamos atribuir. Esta experiência só nos será possível quando tivermos desenvolvido a concentração e aprendido a manter a mente completamente vazia de pensamentos e imagens. No início tudo será escuridão.

A contemplação não pode ser alcançada pelo intelecto. Não é questão de leitura ou audição de ensinamentos. Qualquer pensamento será uma barreira para alcançar a Deus. Teorias sobre Deus são enormes barreiras. Deus pode ser amado, mas não pensado. A mente precisa estar vazia de conceitos e preconceitos. De nada adianta ficar procurando entender como fazer,quem fica planejando como chegar à contemplação está iludido.

Nesta prática não podemos nos identificar com os pensamentos, por mais belos ou santos que sejam. Para esta prática não podemos nos identificar com nada, devemos deixar tudo em paz, pessoas, animais, paisagens, lembranças, preocupações.

O pensamento dirigido, a investigação de nossos defeitos funciona bem para outras práticas, mas aqui nada pode. Estas são práticas ativas, enquanto a contemplação é uma prática passiva. Para se chegar à contemplação devem ser colocadas de lado. A contrição e compulsão são o mais alto estado da prática ativa e o mais baixo da prática passiva.

Para alcançar a contemplação é preciso permitir-se estar em silêncio. Sempre que surgirem pensamentos ou imagens, deixe passar e, gentilmente, volte de novo a atenção para Deus. É preciso vontade e persistência, mas não deve haver luta nem força e nem tensão.



[1] No Budismo, esta contemplação é conhecida como meditação no vazio. Cada uma das grandes religiões possui sua linguagem, seus símbolos para transmitir a mesma realidade.

O clássico cristão A Nuvem do Não Saber é um tratado sobre a contemplação. Este fantástico livro influenciou muitos místicos do século XVI, como Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, esta influência é visível nas obras destes dois grandes místicos.


5 de janeiro de 2013

0   Respostas em Contemplação

Deixe sua mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *