Jardim dos Mestres

Dualismo

A dualidade é esta prisão de conceitos que determinam o bom e o mau, o desejo e a rejeição, o agradável e o desagradável, o bonito e o feio, etc.

O ego se fundamenta nesta dualidade da mente. Nossas reações são baseadas nesta dualidade, são condicionadas por esta dualidade. Da dualidade surgem as preferências pessoais. Por exemplo, alguém comendo, pensa: “que gostoso, vou comer mais!”.

Se uma pessoa ou situação nos agrada, reagimos bem, reagimos positivamente, se não agrada, reagimos mal, reagimos negativamente. Se nos elogiam, sorrimos, se nos ofendem, ficamos tristes, magoados, irritados ou nervosos. Somos vítimas das situações, dos estímulos, somos vítimas dos outros.

A mente reage a muitos estímulos, mas existem apenas dois tipos de reação: equanimidade e desejo. A ação equânime está além da dualidade, além do batalhar dos opostos. Somente quando conseguirmos ser equânimes, independentemente das condições, é que poderemos começar a ter algum controle. Antes disso, continuaremos a ser apenas vítimas.

Mudamos e nos transformamos quando mudamos as nossas reações, pois as coisas são o que são. Tudo é o que é, e não há nada de errado senão em nossas reações, não há nada de errado senão em nossos corações e mentes.

Desta dualidade da mente surge o batalhar dos opostos, que atormenta, gera medo, dúvida, insegurança, ansiedade.

Ao iniciarmos uma meditação, podemos perceber que a mente se divide em duas partes, uma atenta e outra desatenta. Na parte desatenta, podemos observar o batalhar dos opostos, a luta das antíteses.

O descontentamento e a insatisfação levam a mente para lá e para cá, atrás de alguma felicidade ilusória. É necessário que, durante a meditação, interroguemos a mente para saber o que ela quer, para perceber o que ela diz faltar.

Para que este batalhar de opostos termine, temos que estudar a dualidade e as dúvidas apresentadas pela mente. Utilizando os processos de análise e síntese, dedução e indução, dirigimos a mente para algo útil e o processo de perda de energia psíquica é revertido. Assim, chega-se à compreensão e à sabedoria, deixa-se a mente quieta, livre da dualidade e em silêncio, então surge a felicidade, o contentamento, a satisfação.

Felicidade, contentamento e satisfação só podem ser encontrados dentro de nós mesmos no aqui e agora, e para isso não há conceitos, condições, lugares ou situações. Se não achamos a felicidade na simplicidade do momento presente, nunca a encontraremos.


23 de janeiro de 2013

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