Jardim dos Mestres

O termo ego que utilizamos aqui é conforme a definição da gnose de Samael Aun Weor. O mesmo termo tem outros significados dentro de outras doutrinas espiritualistas ou teorias acadêmicas.

Em gnose, os egos são a personificação de nossos defeitos psicológicos, a cristalização de nossos desejos, os egos são nossos demônios internos. No Egito, os egos eram conhecidos como demônios vermelhos de Seth. No hinduísmo, são chamados de falso ego ou ahamkara. No Budismo, são os agregados psíquicos. No Cristianismo recebem vários nomes como legião, ímpios, usurpadores do trono. Na obra de Jacob Boehme, os egos são chamado de criaturas.

Somos formados por uma multiplicidade de “eus”. Cada diferente “eu” é um ego. Não possuímos um “eu” permanente e imutável. A identificação com o ego, a ilusão do “eu” permanente, é a base de todas as demais ilusões e impressões equivocadas.

Nossas percepções são construídas desta perspectiva, desta visão equivocada de um “eu” permanente, imutável, de um “eu” com qualidades e habilidades inerentes e imutáveis. Todos os nossos pensamentos e ações são em função deste “eu” que inventamos, deste “eu” que tem a constante necessidade de segurança e autoafirmação, que sempre quer sentir prazer e evitar dor.

O nome, o corpo e a personalidade dão a impressão de sermos únicos, permanentes, imutáveis. O ego é validado, fortalecido, satisfeito com a repetição de situações, emoções, lugares. O ego se manifesta através da mente, mas não é a mente.

Cada ego é como se fosse uma pessoa independente dentro de nós mesmos, com sua própria mente, emoção, desejos, gestos, atos. Cada ego só pensa em si mesmo, em seus próprios desejos. A identificação com os egos nos traz infelicidade, dor e sofrimento.

Esta multiplicidade pode ser percebida pelos desejos antagônicos, pela falta de continuidade de propósito, pela falta de coerência entre pensamentos, emoções e sentimentos, pelas mudanças descontroladas e desordenadas de nossos estados internos. Se nos observarmos perceberemos que num momento estamos contentes, sorrindo, nos divertindo, no momento seguinte já estamos tristes, ansiosos, com medo.

O ego é insaciável, nunca está satisfeito com nada, sempre acha que falta algo, está sempre em busca de mais prazer, de mais gratificação, está sempre em busca de mais.

A simples aceitação da ideia da multiplicidade interior já pode trazer algumas mudanças superficiais, pode abrir as portas para observação de aspectos psicológicos mais grosseiros da psique, pois esta aceitação cria um certo distanciamento, uma certa desidentificação. Contudo, aceitar não é o suficiente, precisamos perceber diretamente esta multiplicidade interna.

Nenhuma mudança será possível enquanto nos acharmos únicos, enquanto nos crermos um “eu” único e permanente sentindo raiva, ciúmes, mágoa, tristeza. Precisamos perceber quem dentro nós está produzindo estes estados equivocados, estas emoções negativas.

Nenhuma mudança será possível enquanto acreditarmos que possuímos, enquanto acreditarmos que são nossos os desejos, pensamentos, sentimentos, emoções, estados internos, humores. O ego está na ideia de posse, no “eu”, no “meu”.

O ego se alimenta das intenções ocultas. Está sempre em busca de reviver os prazeres do passado. O ego é o passado, é nossa história, nossas lembranças. A impressão de existência permanente está nas histórias que explicam e justificam nossos erros, nossos comportamentos, nossas formas de pensar, é o “sou isso por causa daquilo”, “sou assim por causa disso ou daquilo”, “esta é minha história”.

O ego está em nossa autoimagem, na definição do que somos, ou de quem somos, está em nossas fantasias sobre nós mesmos, em nossas bases, identidade, cargos, papéis, na constante necessidade de segurança e autoafirmação, no desejo de poder, status, fama.

O ego é sempre inseguro, amedrontado, vítima das situações, está sempre na defensiva, sempre se sentindo agredido, atacado, sempre precisando se afirmar.

Iludidos, acreditamos que é necessário ter para ser, como se alguma coisa externa, bens materiais, posições sociais, roupas, acessórios, num passe de mágica, pudesse nos transformar, nos tornar melhores, maiores, superiores, mais importantes. Agimos como se alguma destas coisas possuísse uma realidade própria, uma qualidade ou habilidade, uma capacidade inerente de nos transformar, de nos tornar algo, de mudar nossa realidade.

Identificados com o ego, nós nos sentimos nas ações, realizações, tarefas, trabalhos, bens materiais, posições sociais, roupas, acessórios. Não somos as tarefas, trabalhos, etc., mas tomamos como pessoais as críticas e os elogios às coisas que acreditamos possuir, às tarefas que fizemos, à tudo em que nos sentimos.

Nós também nos sentimos em nossas opiniões, por isso sempre queremos ter razão. Para o ego, perder uma discussão significa deixar de existir ou ser diminuído. Nós também não somos nossas opiniões.

O ponto inicial da transformação é a aceitação e a percepção direta da doutrina dos muitos, da multiplicidade interna, da inexistência do “eu” permanente e imutável


20 de janeiro de 2013

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