Jardim dos Mestres

O Perdão

Buscar o perdão, buscar perdoar, é buscar compreender o outro, ou despertar empatia, é buscar compreender as situações; é buscar um novo ponto de vista, um ponto de vista mais altruísta; é renunciar aos nossos próprios sofrimentos, é praticar a tolerância, a paciência, a compaixão, a sensibilidade. Todas esses atos, por si, já são atos de perdão.

Sem que exista uma mudança do ponto de vista da história que causou mágoa, ressentimento, ira, desejo de vingança, o perdão não é possível. Somos apegados à dor e ao sofrimento, e por isso não perdoamos.

O perdão é bom para quem o sente. Porque quem perdoa fica com o coração mais leve, deixa de carregar ressentimentos, mágoas, tristezas, raiva.

Enquanto acharmos que existe algo ou alguém a ser perdoado, não poderemos perdoar nada nem ninguém. Enquanto não nos desprendermos de idéias e frases padronizadas – “Ele me fez isso!”, “Ela me fez aquilo!”, “Ah, se fosse comigo!”, “Ele me fez isso, mas eu perdoei!”, “Ele lhe fez tudo isso e você não fez nada?” –, não estaremos habilitados a perdoar. Estaremos ainda muito presos, estaremos reféns das idéias, das histórias.

Conflitos e mágoas acontecem porque fantasiamos, exageramos, criamos ilusões, expectativas, sobre situações que nos acontecem ou sobre o futuro, porque culpamos os outros por não terem realizado nossos desejos, nossas fantasias, por não terem correspondido às nossas expectativas. Mas, quando conseguimos enxergar o quadro sob um outro ponto de vista, percebemos que nada havia a ser perdoado, nós é que estávamos sonhando, fantasiando, distorcendo as coisas.

Enquanto adotarmos a postura de alardear nosso perdão às pessoas, a despeito de elas nos terem feito isso ou aquilo, não estamos perdoando de fato. Estamos, sim, nos enganando, fechando as portas para um perdão real, carregando mágoas, raivas e ressentimentos, que se estenderão por muito tempo. Precisamos perdoar com o nosso coração, não com palavras.

Enquanto não aceitarmos as coisas, as pessoas, as situações como realmente são, a vida tal qual se apresenta, não será possível perdão algum. Precisamos entender que tudo é como deveria ser. Nós é que, com nosso orgulho, achamos que tudo deveria ser diferente, que tudo deveria ser do jeito que idealizamos.

Não perdoamos porque somos impacientes, intolerantes; porque nos colocamos como vítimas das situações; porque não aceitamos os outros ou as situações. Não aceitamos pessoas e fatos e queremos ser aceitos. Não perdoamos e queremos ser perdoados. Não respeitamos e queremos ser respeitados.

Certamente, já erramos muito e continuamos a errar, a magoar pessoas próximas sem perceber, a agir mal, a irritar os outros. Certamente, por muitas vezes, também já causamos sofrimento a terceiros. Não somos os santos que acreditamos ser. Também precisamos do perdão dos outros. Todo aquele que quiser ser perdoado precisa aprender a perdoar. (cf. Mt 18:1-35)


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