Jardim dos Mestres

O Primeiro Grau de Oração

No primeiro grau é custoso conseguir a concentração necessária para entrar em oração, por causa do costume da distração. Existe aqui esforço e sofrimento para conseguir manter-se em oração.

No início, temos o coração duro e seco, somos incapazes de nos arrepender. Não há lágrimas, ternura, sentimento de devoção. As emoções ainda estão muito reprimidas, ainda estamos muito voltados para o externo, presos a impressões e estímulos externos, muito mecânicos, complicados; ainda não nos permitimos relaxar, estar em paz, sentir felicidade.

Neste grau tenta-se, através do pensamento, buscar as lágrimas, mas, por vezes, não há pensamento algum que as faça brotar. Este esforço mental é desgastante, cansativo. A alma sofre por começar a perceber que está muito longe de Deus.

Aqui estamos construindo as bases, então é preciso ter paciência e persistir, não podemos desistir diante das securas e, com certeza, voltaremos muitas vezes ao início. A maioria das pessoas não suporta privar-se de seus desejos, prazeres, distrações, divertimentos; as forças do mundo são muito fortes nestas pessoas. O esforço de abandonar os passatempos do mundo e buscar a Deus, o querer estar a sós com Deus, já é de grande valor, mas não é tudo.

Antes de começarmos a receber os benefícios da oração teremos que olhar para nossas misérias interiores. É muito importante observar, e nunca perder de vista, que o amor a Deus se mede pelas ações, pelas virtudes, pelo servir e não pelos fenômenos ocorridos em oração ou meditação.

Haverá dias nos quais será difícil entrar em oração. Muitas vezes tentaremos entrar em oração e não conseguiremos, por causa de muitas distrações, preocupações, perturbações. A privação da oração é algo terrível para o devoto. É preciso muita humildade, paciência e persistência. Isso pode durar alguns dias, ou mesmo semanas, mas tem fim. Nenhum esforço é inútil. É muito importante não se deprimir, não desanimar. Perseverar na oração é sempre o melhor que podemos fazer, é preciso determinação para ir até o fim, custe o que custar.

Neste grau se inicia o esforço de falar com Deus sem orações formais e sim com o coração, com palavras conforme as nossas necessidades, aflições, inquietudes, começamos a nos envergonhar de nossos erros diante Deus. Este grau começa com reflexões, com isso que chamamos de pensamento dirigido ou oração discursiva e termina com amor ao divino.

Quando começamos a ter devoção, não devemos nos descuidar da virtude, não devemos nos deixar cair em situações de tentação. Não é que não se possa ter nenhum tipo de recreação, mas é necessário que observemos os locais, as situações, as pessoas e que tenhamos discernimento para selecionar. Em tudo precisamos de moderação.


[1] No Budismo encontramos meditações onde, pela imaginação, se contempla a decomposição do corpo. É uma prática para eliminar a luxuria, desenvolver o desapego com relação ao corpo e perceber sua realidade. Não existe nada de mórbido nesta prática, pois a decomposição do corpo é algo natural. Porém, não gostamos de admitir isso e até preparamos os cadáveres, maquiando-os, arrumando-os em belos caixões com flores para parecerem mais aceitáveis. Esta é normalmente uma prática indica para pessoas com certo desenvolvimento intelectual e não é muito indicada para pessoas que são muito impressionáveis.

[1] Estudando a vida de São Francisco de Assis e de Santa Teresa de Ávila, vemos que os dois se regozijavam ao contemplar a natureza. Para São Francisco, todos os seres, todas as coisas da natureza eram irmãos e irmãs. Santa Teresa quando via algo belo na natureza dizia “bendito seja aquele que te criou”.


25 de dezembro de 2012

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