Jardim dos Mestres

Os Jhanas

A palavra jhana é de origem Pali, idioma em que foi escrito o cânone budista[1]. Jhana é Dhyana em Sânscrito, Cha’n em chinês e Zen em japonês.

Os jhanas aparecem com muita frequência no cânone budista, o que demonstra que uma grande importância era atribuída a eles. É de se estranhar, portanto, que esta prática não seja ensinada, que tenha ficado praticamente esquecida, perdida.

Os jhanas são estados de profunda concentração, de absorção meditativa. Aparecem muitas vezes como sinônimo de “concentração correta”. Estão divididos em dois grupos de quatro, onde cada um é mais profundo do que o anterior.

Auto-observação, atenção, concentração, alegria, felicidade, paz e equanimidade se desenvolvem nos quatro primeiros jhanas.

Algumas pessoas têm experiências acidentais com esses estados, mas, por não saberem pelo que passaram, negligenciam-nas e acabam por esquecê-las.

O Senhor Buda experimentou os jhanas ainda quando criança, e certo dia, depois de seis anos de austeridade e ascetismo, lembrou-se desta experiência que teve quando criança. Acreditando que este era o caminho, acessou então os jhanas e obteve a iluminação. Assim vemos a importância de lembrar e reviver estados libertos.

Dentro do Budismo, existe muita controvérsia sobre os jhanas, sobre sua importância e sua relação com outras práticas, mais especificamente com relação à meditação de insight[2]. No cânone budista, a prática dos jhanas não está dissociada da prática de insight, as duas completam-se, sustentam-se e fortalecem-se mutuamente.

A experiência dos jhanas é muito marcante, é um contato com as emoções superiores, com uma grande felicidade e uma profunda paz. Após a mente experimentar esses estados, ela irá querer buscá-los novamente, e desta forma a agitação mental e o diálogo interno cessam, uma vez que a mente encontrou algo que lhe satisfaz melhor.

Por serem estados internos de contentamento, paz e felicidade, os jhanas nos auxiliam a permanecer no momento presente, pois a mente não fica mais buscando coisas para fazer, lugares para ir. Assim, uma capacidade de direcionar a mente, de gerar e sustentar estados libertos, além de uma poderosa capacidade de concentração, começa a se desenvolver.

A prática dos jhanas tem como objetivo o desenvolvimento de uma mente tranquila e estável. Esta prática leva à percepção e compreensão da própria meditação, leva também ao desapego dos pensamentos e das imagens que a mente traz, leva a profundos insights.

Os jhanas não são um fim em si mesmos, são usados para desenvolver insight. Sua prática não deve ser realizada apenas com o objetivo ter experiências agradáveis. É preciso desenvolver a habilidade nos jhanas, de maneira que se consiga entrar e sair sem apegar-se a eles.


[1] Livros sagrados da doutrina budista.

[2] Meditação onde se busca sabedoria, onde se busca a compreensão dos agregados psíquicos, da natureza dos fenômenos internos, etc.


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