Jardim dos Mestres

Os Resultados da Meditação

Para os iniciantes, as primeiras conquistas são basicamente: conseguir tempo e manter a constância. Alguns, quando começam a praticar, chegam a acreditar que pioraram, pois percebem que suas mentes são muito agitadas. Na realidade, suas mentes sempre foram agitadas. A questão é que a agitação não era percebida. Por isso, começar a perceber a agitação da mente é um bom sinal.

Alcançar a experiência de estabilidade e tranquilidade da mente e do coração pode demorar, pois estamos muito acostumados a dirigir nossos corações e mentes no sentido diametralmente oposto.

Quem medita e não busca a prática de virtudes e a mudança de conduta não obtém resultados. O desenvolvimento de virtudes requer continuidade. Serenidade e equanimidade se desenvolvem progressivamente e não numa sentada. A mudança gradual é o resultado de um esforço constante e persistente. O meditador paciente obtém resultados.

Cada um de nós teve suas próprias experiências. Cada um de nós tem seus próprios defeitos, virtudes, limitações. Logo, a capacidade de cada um para compreender a doutrina e perceber a realidade é diferente. Uns têm mais facilidade de compreensão, outros menos, e alguns têm muita dificuldade. O mesmo ocorre quanto à capacidade para colocar o aprendizado em prática.

Fé e devoção são essenciais para o progresso, pois sem a graça divina não há progresso, e sem devoção não recebemos as graças divinas. O tempo para que os resultados apareçam depende da acumulação de méritos e da purificação de cada um de nós. É o mérito que abre as portas. Ele é adquirido pela observação de preceitos, pela adoção de um modo de vida compatível com a doutrina, pela capacidade de servir, pela reverência, por orações e pela prática de virtudes.

A busca de fenômenos, de resultados, de avanços, pode nos levar ao que chamamos de “orgulho místico”. Quem busca resultados, cedo ou tarde, acaba desistindo ou se deixando fascinar pelos fenômenos que podem ocorrer durante a prática. A visão de luzes, a audição de sons, a percepção de sensações diferentes tornam a pessoa cada vez mais fascinada. Ela acredita que este é o caminho e que está evoluindo, com isso se esquece dos objetivos iniciais e se desvia do verdadeiro caminho.

A meditação é um fim em si mesma, é um treinamento para acalmar a mente, para percebermos os mecanismos de nossas mentes, para percebermos a nós mesmos, as mudanças de nossos estados internos. A meditação é a prática de uma série de virtudes.

Porém, como durante as meditações esquecemo-nos de nós mesmos e não nos damos conta do que está ocorrendo conosco na própria meditação, do que está ocorrendo em nosso interior, não percebemos o que deve ser percebido.

Fazemos nossas práticas esperando por resultados, esperando que algo aconteça e, dia após dia, nos frustramos. Acreditamos que, durante ou depois de uma prática, vamos nos tornar iluminados, vamos nos tornar clarividentes, clariaudientes. As esperanças fantasiosas e ilusórias de transformação nos impedem de perceber os resultados reais das práticas.

Depois de muitas frustrações por nada acontecer, um dia qualquer podemos nos dar conta de que já mudamos, já somos diferentes, podemos nos dar conta de que algo aconteceu, não como esperávamos em nossas fantasias e ilusões, mas de uma maneira diferente.

Ter objetivos grandes demais e a curto prazo certamente trará frustração. Devemos ter objetivos a curto prazo, objetivos simples como manter a constância, sermos mais tranquilo em determinadas situações, respeitarmos mais em outras. A longo prazo, devemos manter objetivos elevados, como alcançar a iluminação, como dizia o Mestre Samael: “…buscai a iluminação e o resto lhe será dado por acréscimo…”

Quando sentimos felicidade ou tristeza, não podemos achar que vieram de fora, que foram causadas por outros ou por circunstâncias externas. Tudo ocorre dentro de nós mesmos, dentro de nossos próprios corações e mentes. É lá que tudo deve ser investigado.

Durante a meditação, precisamos observar as mudanças, o surgimento e a cessação, os fenômenos que estão aparecendo, mudando e desaparecendo dentro de nós, em nossos corações e mentes. Assim, aprendemos a gerar e manter estados puros, e a nos libertar de estados equivocados.

Na meditação conseguimos estados de paz, tranquilidade e contentamento. E não há nada acontecendo, não temos nada e não somos nada nestes momentos. Logo, não há nada a fazer, a conquistar, não há lugar algum para ir a fim de se obter felicidade, paz, contentamento ou satisfação. Tudo ocorre no momento presente, dentro de nós mesmos.

Não poderemos desenvolver esses estados com êxito se eles forem negligenciados durante as horas em que não estamos em uma prática formal. Todo nosso tempo pode ser aplicado nesse objetivo.

Pratique e obterá resultados, quanto a isso não há dúvidas. A perfeita iluminação é o fruto último do trabalho sério sobre a mente, sobre si mesmo.

Podemos oferecer o resultado de cada uma de nossas práticas à nossa Divina Mãe, à nossa Divindade Interior, ao nosso Mestre. Este ato é um presentear e nele devemos ter o mesmo sentimento, a mesma alegria, o mesmo regozijo, de quando presenteamos a um amigo que temos grande afinidade. Este é um ato que gera muitos méritos.


0   Respostas em Os Resultados da Meditação

Deixe sua mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *