Jardim dos Mestres

O Pensamento

Como ensina Mestre Samael, o primeiro passo no trabalho psicológico é a mudança da forma de pensar.

Nossos pensamentos são distorcidos por nossos desejos, são obscurecidos pelos defeitos que carregamos dentro de nós mesmos. A clareza do pensamento é fruto de muitas purificações.

Numa sessão de meditação reflexiva, precisamos utilizar o pensamento dirigido, analítico, profundo. O pensamento é uma ferramenta bastante útil, se for dirigido, controlado. O pensamento sustentado leva à compreensão. Mas o pensamento mecânico, o devaneio, a fantasia, estes são inúteis, não servem para nada.

Se observarmos os pensamentos que surgem em nossa mente sem discriminação alguma, perceberemos que muitos são inúteis, desconexos ou sem sentido, repetitivos, equivocados, confusos, fantasiosos.

Quando um pensamento vem à mente, acreditamos que ele é nosso e o seguimos. Por exemplo, se estamos almoçando e pensamos “que gostoso, vou comer mais!”, nós comemos. Reagimos aos nossos próprios pensamentos, baseamos nossa conduta em nossos pensamentos, pois acreditamos que são reais, concretos. Eles agitam a mente, criam e alteram nossas emoções, geram sofrimento. Certamente, nós não desejamos todos os pensamentos que passam por nossas mentes, mas somente com treinamento é que eles podem ser silenciados.

Com a prática e aos poucos se desenvolve a habilidade de dirigir o pensamento e de escolher o que pensar. A questão é aprender a guiar o pensamento, não tentar detê-lo.

Atribuímos demasiada importância aos pensamentos, queremos possuí-los, agarrarmo-nos a eles. Na meditação, devemos investigar e perceber de onde os pensamentos surgem e para onde vão, o que é uma mente tranquila e o que é uma mente agitada.

Nossos pensamentos sobre algo são apenas opiniões e conceitos subjetivos, mas normalmente não questionamos por que pensamos, no que pensamos e como pensamos.

A lógica faz o pensamento parecer concreto, verdadeiro. Os conceitos apoiam-se mutuamente, confirmam-se e tudo isso pode nos dar a impressão de sabedoria. Acreditamos que os pensamentos são concretos, que são a verdade, a realidade, porém os pensamentos são desprovidos de realidade própria, não são concretos, são impermanentes, mudam constantemente, são resultantes de condicionamentos, lembranças, desejos.

Obviamente, a lógica tem seu lugar e é útil na vida prática, mas por vezes, ela pode nos levar a discussões e equívocos.

No início das práticas é necessário esforço para sustentar o pensamento numa determinada direção, mas com o treino, podemos desenvolver habilidade neste processo. O pensamento dirigido e sustentado é uma condição para se alcançar o primeiro jhana.


23 de janeiro de 2013

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